No quadro Pioneiros de hoje, nossa conversa é com uma mulher de fé, memória viva e coração agradecido: Lúcia Dolde Alexandre de 82 anos.
Nascida em Padre Nóbrega, distrito vizinho a Marília, Lúcia viveu por doze anos no bairro Área Branca – que naquele tempo era conhecido como Figueira. Carrega na lembrança o cheiro da terra, as ruas simples e o tempo em que a vida corria mais devagar.
Em 1966, casou-se com Nelson Pinto Alexandre e veio morar em Pacaembu, cidade que escolheu para fincar raízes e construir sua história. No próximo dia 14 de maio, o casal celebra um marco raro e precioso: 60 anos de casamento – uma união que atravessou décadas, desafios e alegrias, sustentada pelo amor e pela fé.
Dessa união nasceram os filhos Inês, Lodomilsom e Carlos. Depois vieram os netos – Kelly, Eduardo, Daiene, Pedro, Isabela e Helena – e, como flores que continuam brotando no jardim da vida, os bisnetos Lorena, Felipe, Laura, Maria Cecília, Lucas e Artur.
Lúcia recorda que a antiga Pacaembu era uma vila cheia de promessas. Havia muitas máquinas de beneficiamento de café e até uma indústria de óleo. O progresso parecia bater à porta. Mas também havia dificuldades: faltavam médicos, não havia hospital, e quando surgia necessidade era preciso ir até Lucélia. Existia apenas uma farmácia. Eram tempos de coragem e perseverança.
Entre suas lembranças mais queridas está o Jardim Municipal, ponto de encontro da juventude, palco de risadas, conversas e sonhos ao entardecer. Também lembra do antigo cinema, da fila que dobrava a esquina, que fazia parte de um ritual simples, mas cheio de significado.
Mulher profundamente católica, Lúcia dedicou grande parte de sua vida à Igreja. Foram 34 anos como catequista, formando 17 turmas para a Primeira Eucaristia. Atuou por 25 anos como Ministra da Eucaristia, trabalhou na ornamentação, na assistência social e dedicou sete anos ao E.C.C. (Encontro de Casais com Cristo). Sua fé não foi apenas palavra – foi serviço, entrega e missão. Lúcia também dedicou muitos anos ao preparo de pães caseiros, feitos com carinho e tradição, levando sabor e afeto à mesa de muitas pessoas.
Ao final da nossa conversa, ela deixa uma mensagem que traduz seu coração:
“Aos Pacaembuenses que já se foram, muita saudade. E aos que ainda estão aqui, um abraço carinhoso. Devem sentir saudade como eu sinto. ”
Assim é Lúcia Dolde Alexandre: memória viva de um tempo que construiu o presente. Uma pioneira que transformou fé em ação e saudade em ternura.