Há pessoas que não apenas viveram a história de um lugar, mas ajudaram a escrevê-la com as próprias mãos. Os pioneiros de Pacaembu abriram caminhos onde antes havia mata fechada, transformaram a terra em sustento, edificaram famílias e deixaram como herança valores que o tempo jamais será capaz de apagar. São raízes profundas que continuam alimentando a identidade da nossa Cidade Paraíso.
Nesta semana, o Jornal O Pacaembuense conversou com um casal que carrega na memória mais de sete décadas da história do município: Apparecido Andretto, de 85 anos, e Delci Tilhaque Andretto, de 84 anos. Moradores do bairro Capim Fino há 78 anos, eles dedicaram a vida à agricultura, profissão que exerceram até a aposentadoria, cultivando não apenas a terra, mas também uma família unida e uma história de perseverança.
Apparecido nasceu em 7 de setembro de 1940, em um sítio no município de Valparaíso. Chegou ao então bairro Capim Fino em 1948, aos sete anos de idade, acompanhado dos pais e de cinco irmãos. Naquele tempo, Pacaembu ainda não existia como município. A região era conhecida como Esplanada e havia apenas o bairro Sumatra e a cidade de Flórida Paulista. Delci nasceu em 6 de janeiro de 1942, em um sítio no município de Santo Anastácio. Mudou-se para o Capim Fino em 1951, aos nove anos, junto com a mãe e mais seis irmãos, iniciando ali uma trajetória que se confundiria com a própria história da cidade.
No dia 31 de julho de 1965, uniram suas vidas em matrimônio, em Pacaembu. São 62 anos de casamento, construindo uma família alicerçada no amor, na fé e no trabalho. Dessa união nasceram seis filhos – Ivone, Altair, Paulo, Sidnei, Sidneia e Ronaldo –, além da alegria de oito netos, sendo três netos e cinco netas, e uma bisneta.
Ao recordar o passado, o casal descreve um cenário muito diferente do que conhecemos hoje."Pacaembu não existia. Só tinha a Sumatra e a Marajoara. O município ainda era coberto por bastante floresta. O meio de locomoção era carroça, carro de boi, a cavalo e uma jardineira que vinha de Flórida Paulista para Flora Rica. Em 1949 começaram a derrubar a mata para iniciar as plantações de café, algodão e as culturas de subsistência."
As lembranças mais saudosas revelam uma época em que a simplicidade fortalecia os laços da comunidade.
"Sentimos saudades da época em que o bairro tinha muitas famílias, do convívio entre os moradores, dos jogos de futebol aos domingos, das músicas de viola e violão. Também do tempo em que o córrego tinha muitos peixes, como piau e piapara."
Entre os acontecimentos que jamais esquecerão estão as grandes geadas de 1975 e 1982, que destruíram os cafezais e outras lavouras, impondo novos desafios aos agricultores que, com coragem, recomeçaram mais uma vez.
Hoje, o tempo livre é vivido com tranquilidade. Apparecido gosta de tocar violão, pescar e assistir televisão. Delci prefere passear e também acompanhar a programação da TV. Pequenos momentos que refletem uma vida inteira dedicada ao trabalho e à família.
Ao final da conversa, o casal deixou uma mensagem que resume a essência de uma geração que aprendeu a vencer pela humildade e pela fé:
"Desejamos que todos saibam viver com o pouco sem murmurar e, na bonança, sem soberba. Que o amor do Pai, a misericórdia do Filho Jesus Cristo e a direção do Espírito Santo nunca faltem nos corações de cada cidadão Pacaembuense. Que todos vivam em paz e com respeito, para que, no final de tudo, como diz o apóstolo Paulo, possamos combater o bom combate da vida, completar a corrida e guardar a fé em Cristo Jesus."
Celebrar os pioneiros é muito mais do que recordar o passado. É reconhecer homens e mulheres que transformaram desafios em oportunidades, fizeram florescer a esperança onde havia apenas mata e ajudaram a construir uma cidade acolhedora, próspera e cheia
de histórias. Que o exemplo de Apparecido e Delci Andretto continue inspirando as atuais e futuras gerações a cultivar os mesmos valores de trabalho, união, respeito e amor pela terra que fizeram de Pacaembu a nossa eterna Cidade Paraíso.